FAMILIA HENRIQUES DA ILHA DO FOGO
 
 

A ORIGEM DA FAMÍLIA HENRIQUES


Tratando-se de um patronímico (filhos de Henrique), pelo que muitas terão sido as famílias que o adoptaram por apelido sem estarem ligadas por laços de consanguinidade.

 

Para o descritivo da linha de sucessão tomo, como ponto de partida, João Jorge Henriques. que foi Escrivão da Câmara em 1708 em Macieira de Cambra, Vale de Cambra, Aveiro. Os Henriques da Ilha do Fogo descendem de João Jorge Henriques (PT/TT/JIM-JJU/1/23/15).

Se nada mais souberdes, conhecei ao menos a história do vossa terra...»


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1. JOÃO JORGE HENRIQUES, Cavaleiro Professo da Ordem de Cristo, Escrivão da Camara de Macieira de Cambra, filho legitimo de António Jorge Henriques e de Isabel Henriques, do lugar de Passos, nasceu em 1668, Freguesia de Nª Srª da Natividade em Macieira de Cambra da Comarca da Vila da Feira, bispado de Coimbra - "foi baptizado aos 4-2-1668,  pelo padre João Soares, que também foi padrinho; a madrinha foi Maria filha de Mateus Luís de Ossela".

 

Em 21 de Outubro de 1697 casou com Bernarda da Cruz  (Tavora), falecida a 11/2/1752, o que faz crer, que a sua residência era nesta vila. "Em os 21-Outubro de 1697 recebeu o padre cura Domingos Francisco, a João Jorge Henriques, com sua mulher Bernarda da Cruz. Foram testemunhas Francisco Ferreira … e seu filho João Soares, de Passos, (assinatura de) Salvador de Matos". Livro nº 1 de Macieira de Cambra, pág. 95 (Casamentos)

 

Faleceu a 14.01.1746, "Em os 14-Janeiro de 1746, faleceu João Jorge Henriques, do lugar de Padastros, desta freguesia e não fez testamento. Seu genro Francisco Tavares, do lugar da Moreira, freguesia de Rôge, obrigado ao bem de sua Alma,"Livro nº 8 de Macieira de Cambra, pág. 23 (Óbitos). Seu corpo foi sepultado dentro da Igreja, de que fiz este assento que assinei, dia, mês, era, ut supra …. Padre Cura António Tavares. "

 

Quando o senhorio do concelho de Macieira de Cambra passou dos Condes da Feira para a Casa do Infantado, entre os governantes municipais que em 1708 testemunharam a transferência e posse do novo senhor, contava-se o escrivão da Câmara João Jorge Henriques - as três chaves eram guardadas pelo juiz ordinário mais velho, o vereador mais velho e o escrivão da Câmara.

 

Filhos: 

  • 2.JOÃO DE TÁVORA  nascido a 25.03.1703, Macieira de Cambra, Vale de Cambra, e falecido a 27 de Outubro 1752, na Guiné, de morte repentina.
  • Em 24 de Maio de 1747, foi nomeado como Capitão-Mor (Governador) da Praça de Cacheu nos ano de 1748 - 1751.
  • Foi considerado "um aventureiro de origem fidalga e um subdito bem relacionado"
  • Em  15 de Abril de 1728, era "Mestre Capitão e Avançador da nau "Santa Ana e Almas", indo de Angola para Bahia. (Vol23, Doc 29)
  • Em 1734 estava na Ilha de S. Tiago, "João de Tavora natural e morador nessa Corte que se acha ao prezente ancorado com o seo navio no porto de Villa da Praya de Santa Maria desta Ilha que daqui passa para o Rio de Janeiro, por uma petição lhe desse Licença para poder povoar a Ilha de S. Vicente e fortificar o porto grande della" propôs ao governo português um contrato de concessão onde ficaria assegurado a ocupação e a fortificação do porto da ilha, por um período de 10 anos, podendo em contrapartida desfrutar-se de todos os rendimentos que a ilha produzisse. No entanto o governo português, na pessoa do Governador Bento Gomes Coelho, não se mostrou interessado na altura o que se não levou a effeito porque o Governo tratou a proposta com um soberano desprezo, tendo João de Távora voltado o seu interesse e se instalar no Brasil " (vide Doc)
  • Em 1734/1735, Já no Brasil, João de Távora foi prisioneiro dos Espanhois da Colónia de Sacramento"soube ser a que a Curveta Santa Anna, e S. Josê, que tinha sido apriendida, e examinada igualmente pelos Castelhanos, e que trazendo Vias para mim as deitara ao mar, tendo conseguido fugir para Rio Grande com 200 Indios e outros casais. (Carta de 20/7/1737 Arq, Nac. Pg. 293, VolII)
  • Em 1737 foi Capitão Mor de Canasvieiras, Brasil.
  • Em 05.06.1742, (Na carta patente), constava que "na ilha de Santa Catarina se achava um João de Távora, "pessoa muito de bem e conhecido préstimo"
  • Em 1738, foi nomeado  na patente de mestre-de-campo
  • Em 24 de Maio de 1747, foi nomeado como Capitão-Mor  (Governador) da Praça de Cacheu -  Registo Geral de Mercês, D. João V, liv. 37, fl.215, Carta Patente. Capitão-mor de Cacheu.
  • 2. Maria Teresa da Cruz, nascida a 22.10.1705 Macieira de Cambra, casou a 14.01.1742, com Francisco Tavares Brandão, natural de Moreira, Roje, filho de Manuel Brandão e de Isabel Tavares, natural de Moreira, Roge, Vale de Cambra.
    1. 3. Maria
  • 2. António José Jorge Cruz ,foi baptisado a 17/6/1698, casou a 11.02.1751 com Maria do Vilar de Jesus (Maria Soares), "Viveu na sua quinta de S. Lourenço em S. Vicente de Pereira, termo de Vila da Feira
  • 2.MARCELINO JOSÉ JORGE de TÁVORA HENRIQUES & 2

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2. MARCELINO JOSÉ JORGE DE TÁVORA HENRIQUES, Capitão-Mor, nascido a 02 de Junho de 1719, natural de Macieira de Cambra, Vale de Cambra, Aveiro, e falecido em 1787, com 68 anos de idade, filho de João Jorge Henriques e Bernarda da Cruz casou a 29 de março de 1769, em S. Filipe, ilha do Fogo, Cabo Verde, com D. Maria do Monte Fortunata da Fonseca Mendes Rosado  ( & 5 Mendes Rosado ), nascida em 1749 na Ilha do Fogo, Cabo Verde, filha de José Cláudio Mendes Rosado, administrador da Companhia Grão Pará e Maranhão e de Isabel Caetana da Fonseca, ambos naturais do Algarve)

 

Foi militar ilustre, serviu Sua Majestade no Regimento da Corte como soldado e Cabo de Esquadra desde o ano de 1749 até 1755 e parte de 56, dois anos no Regimento de Infantaria da Fortaleza da Foz da Barra do Porto de 56 até 7 de Março de 1757) e esteve na Praça de Cacheu onde serviu no Posto de Alferes Tenente da dita praça, onde seu irmão João de Távora era governador (capitão-mor). Em 27 de setembro de 1763, o rei nomeia-o capitão-mor da ilha do Fogo, cargo de que tomou posse em 25 de março de 1764

 

Passou a Cabo Verde, primeiro em Santiago. Em 27 de setembro de 1763 o Rei D. José nomeia-o capitão-mor da Ilha do Fogo (Chancelaria de D. José, lv. 86, fl. 370), conforme termo de posse, que a seguir se transcreve: "Manuel Fidalgo de Almeida, sargento-mor das ilhas de Santiago de Cabo Verde, dei posse a Marcelino José Jorge Henriques do posto de capitão de infantaria do regimento de que é coronel Joaquim Afonso da Fonseca que faz guarnição a esta cidade".

"… Faço saber aos que a minha Carta Patente virem que por quanto se acha vago o posto de Capitão de Infantaria de uma das Companhias de Guarnição desta Cidade de Ribeira Grande do regimento do coronel Joaquim Afonso de Affonseca, que vagou por deixação de Manuel Pereira Viana e por ser preciso ao Rei serviço prover-lhe o dito posto com pessoa de capacidade, préstimo e valor, e por todas estas circunstâncias se acha na pessoa de Marcelino José Jorge Henriques por haver servido a Sua Magestade, que Deus guarde, no Regimento da Corte como soldado e Cabo de Esquadra desde o ano de 1749 até 1755 e parte de 56 com boa satisfação, sem nota nem baixa alguma e por servir dois anos para a Fortaleza de S. João da Foz do Douro da Barra do Porto, por ordem de Sua Magestade pelo Conselho de Guerra a sua custa e de 56 até 7 de Março de 57 para Lisboa. E fez passagem por ordem do dito senhor pelo dito conselho de guerra … o regimento de infantaria da cidade do Porto e no qual serviu até vir para Cacheu aonde serviu no Posto de Alferes Tenente da dita praça por patente minha com toda a satisfação e inteireza de onde passou a esta ilha e por esperar dele, que daqui em diante se haverá com maior cuidado, zelo e fervor no serviço de Sua Magestade, etc… e com ele não vencerá soldo algum da fazenda real, mas sim gozará de todas as honras, privilégios, liberdades, isenções e franquezas como gozam os que tais postos ocupam, pelo que mando ao sargento-mor da praça, Manuel Fidalgo de Almeida, lhe meta no dito posto, lhe deixe servir e respeitar na forma costumada, haverá juramento dos Santos Evangelhos, etc." - (carta patente 1º de junho de 1761, cx. 27 doc. 23 cv. Setembro de 1761).

 

Em 27 de setembro de 1763, o rei nomeia Marcelino José Jorge Henriques capitão-mor da ilha do Fogo, cargo de que tomou posse em 25 de março de 1764. Encontrou a fortaleza em mau estado e sem segurança, com falta de armas e de praças, e a igreja de S. Sebastião arruinada. (Chancelaria de D. José, lv. 86 ,fl 370), e tomou posse no dia 25 de Março de 1764.

 

Marcelino José de Távora Henriques construiu na Ilha do Fogo a sua casa à semelhança das que havia na sua terra, no distrito de Aveiro. Veio várias vezes ao Reino com permissão de D. José, tratar de assuntos da sua casa

 

Filhos:

  • 3.  Manuel André Avelino Henriques

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  • 3. Bernarda Teresa da Cruz Henriques, casou no dia 20 de Janeiro de 1784 com o Capitão Manuel Barbosa de Andrade, filho de Pedro Fidalgo de Andrade e de sua mulher Cecília da Fonseca. Foi celebrante o Padre Bartolomeu Ledo Pontes
  • Filhos:
    1. 4. Libânia Angélica da Cruz Henriques  Andrade ( & 179 Vasconcelos)
    2. 4. Isabel Cândida Barbosa de Andrade,  casou a 19/07/1808 com Manuel da Silva Oliveira, natural da Bahia, filho de Gabriel da Silva Oliveira e de Rita Flávia de Jesus
    3. 4 .Maria Barbosa de Andrade, nascida a 30/12/1788, em S. Filipe, Fogo
  • 3 Ana Marcelina Henriques, nascida cerca de 1772, em .S. Filipe. casou em 22 de ___ 1786 ( doc ilegivel ) com José António Cardoso, , filha de Gabriel Gardoso, Capitão Mor, natural do Reino, e de Catarina de Sousa Barradas
  • 3. João José Jorge Henriques, capitão, nascido cerca de 1773 em S. Filipe, casou a 26/04/1789, com Maria Marcelina Pereira, filha de António Rodrigues Pereira e de  Maria Cardosa
  • 3. Luisa Teresa Angélica Henriques. nascida acerca de 1774, em S. Filipe, casou em 1790 com Sebastião José Andrade, filho de Pedro Fidalgo de Andrade, Capitão, e de Cecília da Fonseca
  • 3. Luísa Filipa Henriques nascida cerca de 1776.
  • Francisco José Jorge Henriques, nascido a 1781, em S. Filipe e falecido de colera a 8/7/1855, casou com Maria Amália de Medina e Vasconcelos, ( ver & 10, pag 79 do livro Familia Medina), filha de Teodoro Felix de Medina e Vasconcelos , Capitão, e de sua mulher Ana Joaquina Rosa Soares.  c/ 74 anos. SG
  • 3. Gertrudes Maria do Livramento Henriques

Ramo Henriques   Nozolini



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3. MANUEL ANDRÉ AVELINO HENRIQUES, ( & 1 ) Capitão, nascido a cerca de 1771 em .S. Filipe, Ilha do Fogo, casou noa Igreja Matriz da Ilha do Fogo dia 20/1/1800 com Sabina Julia de Medina e Vasconcelos (Família Medina & 3, Pag 19, nº 5 ), nascida a 1776 e falecida a 7/10/1863 com 87 anos, natural  da Ilha da Madeira, filha de Teodoro Felix de Medina e Vasconcelos, Capitão, e da sua mulher Ana Joaquina Rosa Soares

Filhos

  • 4. Albino José Avelino Henriques

& 3   - Ramo Avelino Henriques   

  • 4. Luís António Avelino Henriques

& 29 - Avelino

  • 4. Manuel Romano Henriques

& 56 - Ramo Medina Henriques

  • 4. Felizarda Cândida Henriques (& 75, Pag 55 do Livro Medina )
  • 4. Senhorinha Cândida Henriques, casou com João Marques Ferreira, natural de ....

Filhos:

    • 5. José Marques Ferreira
    • 5. Álvaro Marques Ferreira
    • 5. Marcelino Marques Ferreira
    • 5. Aniceto Marques Ferreira
    • 5. Maria Josefa Marques Ferreira, casou com Fuão, de nacionalidade Espanhola
    • 5. Rita Marques Ferreira, solteira
    • 5. Isabel Marques Ferreira
    • 5. Aurélio Henriques Marques Ferreira, casou com Isabel Pereira ( & 93 livro Medina)
    • 5. Porfirio José Henriques Marques Ferreira, casou com Cândida de Jesus Pereira, filha de  Maria Soledade Medina ( & 92 do livro Medina )
  • 4, Marcelino Henriques bapt. 1/9/1816, sendo os padrinhos o  Cap. Leao de Barros e D. Gertrudes M.a do Livramento
  • 4. uma menina (sem nome) fal. a 27/2/1812

 

UM POVO SEM MEMÓRIA É UM POVO SEM PASSADO E SEM FUTURO

 

A todos os que quiserem colaborar na construção deste site da Familia Henriques convido a enviar contributos, ficheiros e fotos


Macieira de Cambra

A vila de Macieira de Cambra é de origem muito antiga, perdendo-se essas suas origens em tempos imemoriais. Recuar até à fundação da freguesia na pré-história é possível, muito embora não se possa datar com segurança os vestígios de ocupação humana, desses tempos tão remotos.

 

Macieira de Cambra aparece mencionada em vários documentos medievais, tendo dado origem ao topónimo do concelho.

 

As Festas Setembrinas, que se realizam no primeiro Domingo de Setembro em honra do Senhor do Calvário e no dia 8 deste mesmo mês, em honra da Nossa Senhora da Natividade, são festividades com grande expressão.



São Filipe, Ilha do Fogo


Ilha do arquipélago de Cabo Verde, Fogo. descoberta em Maio de 1460, juntamente com as ilhas de Maio e Santiago, e foi a segunda do arquipélago de Cabo Verde a ser povoada.

 

Inicialmente, a ilha do Fogo chamava-se São Filipe, tendo mudado de nome por causa do vulcão. Por ter solos de terra fértil, favoráveis à agricultura, a ilha foi, desde logo, escolhida para ser povoada.  O primeiro Capitão da ilha, Fernão Gomes, surge em 1493, podendo situar-se por essa década o início do seu povoamento.

 

Em 1515 fala-se já no município de S. Filipe. Em 1572 são referidas duas freguesias - S. Filipe e S. Lourenço do Pico - com 240 fogos .

 

Pouco anos depois de ter sido descoberta, a ilha do Fogo ganhou grande importância na economia de Cabo Verde. O algodão plantado na ilha passou a ser a moeda de compra de escravos na costa africana, numa altura em que só era possível resgatá-los com mercadorias produzidas no arquipélago.



Ponte Velha

Ponte sobre o rio Caima datada do século XVII/XVIII, localizada no lugar de Padrastos, freguesia de Macieira de Cambra, estabelecendo a ligação a Santa Cruz assim como a outras zonas mais serranas do concelho. A chamada "Ponte Velha" é formada por um arco de volta plena, com dorso em cavalete e as lajes postas em cutelo, formando as guardas. Aduelas irregulares no extra-dorso, encontros reforçados a jusante e a montante. Apresenta aparelho de granito nos arcos e nos contrafortes e alvenaria no corpo. Pavimento de calçada.


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